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  • Foto do escritorPelos Caminhos do RS

Rio Grande do Sul cresce como polo mundial de geoturismo

Com um território chancelado pela Unesco como geoparque mundial há um ano, e dois aspirantes esperando a aprovação pela Unesco, o Rio Grande do Sul se consagra em âmbito internacional graças às características incomparáveis das suas rochas e fósseis


FOTO: JANIS MORAIS E MARCELO GOFFERMANN (SGB)


Há um ano, o Caminhos dos Cânions do Sul se tornou o primeiro geoparque a receber o selo de geoparque global da Unesco no RS.


A conquista, oficializada no dia 13 de abril de 2022, representou o primeiro passo para estabelecer o geoturismo como novo segmento turístico no estado.


O movimento cresceu com mais dois geoparques na fila de espera.


Os aspirantes Geoparque Quarta Colônia e o Geoparque Caçapava já obtiveram a sua aprovação recomendada pelo relatório dos avaliadores da Unesco que visitaram a região no final de 2022, e aguardam que a decisão favorável seja referendada pela Assembleia da Unesco, que ocorrerá em Paris (França), neste mês abril, enquanto a entrega oficial do selo está prevista para setembro, na 10ª Conferência Internacional dos Geoparques Mundiais da Unesco, em Marrakesh, no Marrocos.


Eles têm o mesmo objetivo: buscar o reconhecimento mundial do patrimônio geocientífico do sul do Brasil.


Os geoparques são uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável, que tem como base o conhecimento geológico, mais especificamente, as histórias que as rochas contam sobre o planeta.


São formados por geossítios, que são locais-chave para o entendimento da origem e da evolução da Terra e da vida na Terra.


Mas para alcançar o status da Unesco e ingressar na Global Geopark Network (GGN), atraindo os olhos do mundo para o Brasil, o território precisa ser entendido dentro de um conceito holístico, segundo Artur Sá, geólogo português, avaliador sênior da Unesco, que participou da missão de avaliação no RS do geoparque Caminhos dos Cânions do Sul.


“A constituição de um geoparque envolve preservação patrimonial, cultural e sustentabilidade. Ao conjunto de geossítios, onde ocorrem elementos da geodiversidade com singular valor do ponto de vista científico, soma-se o valor educativo, turístico e cultural”, destacou.


Ao mesmo tempo, a compreensão do patrimônio geológico que constitui os geoparques precisa estar fundamentada, e exige um trabalho científico permanente e contínuo nos territórios, conforme explica a geóloga do Serviço Geológico do Brasil, Andrea Sander.


“Temos o desafio de traduzir esse conhecimento para o público em geral. Ampliar a divulgação, tornando a linguagem acessível, sem perder a qualidade científica, contando com a parceria dos municípios”, avaliou Sander, que coordena o programa de divulgação científica SGBeduca.


O presidente da Famurs, Paulinho Salerno, é prefeito de Restinga Sêca, um dos nove municípios da região central do estado que formam o Geoparque Quarta Colônia Aspirante Unesco, e na sua gestão à frente da entidade municipalista tem como meta promover ações de formação e divulgação das potencialidades turísticas dos municípios gaúchos.


"A proposta de um geoparque busca compatibilizar geoconservação e desenvolvimento regional. Os municípios são protagonistas dessas conquistas, que se tornam possíveis por meio de consórcios intermunicipais, em projetos que todos ganham, com o envolvimento da comunidade, destacando seus aspectos culturais, e fomentando parcerias com a iniciativa privada que movimentam a economia local”, explicou.


No entanto, a divulgação precisa ser ampliada. “Estamos mostrando para o mundo a nossa importância, mas também precisamos que esse conhecimento chegue nas escolas, para todos”, defendeu o presidente Paulinho Salerno.

Apoiar projetos de implantação de geoparques como estratégias de desenvolvimento econômico sustentável é uma das metas da Famurs.


O principal patrimônio do Geoparque Quarta Colônia Aspirante Unesco são os fósseis do triássico, que testemunham as mudanças ambientais do planeta nos últimos 250 milhões de anos.


Conforme a vice-diretora do geoparque, Michele Vestena, esses fósseis são encontrados em geossítios como o Fogliarini, Marchesan e Buriol.


Entretanto, embora se constituam como geossítios de relevância mundial, são locais com acesso restrito, portanto, o espaço para conhecer esse patrimônio é o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (CAPPA), onde os fósseis são pesquisados e ficam salvaguardados, colaborando para mostrar o potencial que o patrimônio paleontológico possui para impulsionar o turismo regional.


“Possuímos um patrimônio fóssil importante em nível mundial, inclusive o dinossauro mais antigo do mundo, o Buriolestes schultzi, e que está agora sendo explorado pelo potencial de desenvolvimento regional. Prefeitos têm colocado réplicas em esculturas de animais nas praças para atrair turistas, a paleontologia está sendo incorporada aos produtos locais, ou seja, atraindo tanto pela iniciativa privada quanto pública”, relatou o pesquisador Rodrigo Temp Muller, do CAPPA.


O geoparque tem aspectos culturais fortemente ligados à colonização do RS, compreendendo o território onde foi criada a Quarta Colônia Imperial de Imigração Italiana em 1877, em uma região com paisagem marcada pelo relevo de morros e vales, e onde a preservação do bioma Mata Atlântica também é um ativo importante.


“O turismo ainda é disperso. Os principais atrativos são a gastronomia da região, as paisagens naturais e a tranquilidade vivenciada no território. Para promover uma experiência mais satisfatória, estamos trabalhando com a elaboração de planos municipais de turismo com as nove prefeituras que conformam o geoparque, em parceria com a UFSM”, destacou Michele Vestena.


Partindo de Restinga Sêca, a menos de 100 km, chegamos a Caçapava do Sul, onde as belezas do bioma pampa, se une aos registros de uma geologia única no Geoparque Caçapava.


O município ostenta o título de capital gaúcha da geodiversidade, e abriga espécies vegetais endêmicas do bioma brasileiro que ocorre somente no RS.


Outra riqueza é a sua história.


Em 1865, recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II. Foi a 2ª Capital Farroupilha.


A paisagem de cartão postal do município é explicada pela diversidade geológica.


Enquanto os granitos de Caçapava do Sul, que possuem em torno de 550 milhões de anos e, como rochas magmáticas, devido à sua composição ácida, são extremamente resistentes ao intemperismo.


Por outro lado, as planícies da região são formadas de argilitos que sofrem com a erosão.


É justamente essa heterogeneidade que forma as elevações e seus vales contrastantes. “Os principais geossítios do Geoparque Caçapava estão localizados em locais de expressiva beleza cênica, que proporcionam uma excelente integração entre a contemplação das paisagens, a interpretação de informações e a conscientização sobre a importância da conservação dos elementos naturais. Estes aspectos fazem com que o território atraia muitos visitantes interessados no geoturismo”, avalia o secretário de Cultura e Turismo de Caçapava do Sul, Stener Camargo de Oliveira.


Ele explica que por muitos anos o turismo de aventura foi praticamente o único segmento atrativo, impulsionado pela prática da escalada, trilha, mountain bike e voo livre.


Com o incremento do turismo na região do Pampa, que atrai interessados em vivenciar a cultura gaúcha na essência de todo o país e, mais recentemente, com o lançamento da Rota das Olivas, o território vem recebendo cada vez mais turistas.


“A roteirização também é um grande avanço para o setor, pois oficializa a formatação de locais como destinos que podem ser ofertados pelas operadoras de turismo”, comentou, ao acrescentar que a expectativa com a certificação da Unesco é a melhor.


“Em outros geoparques foi possível constatar avanços significativos no aumento do número de visitantes e na quantidade de dias que permanecem e pernoitam no local. Nos espelhamos em bons exemplos e imaginamos que o território viverá um avanço no desenvolvimento turístico”, concluiu o secretário.


Os geossítios de interesse internacional são as Guaritas, a Serra do Segredo e as Minas do Camaquã. Todos eles, em conjunto, materializam um momento singular na evolução geológica do continente sul-americano: a chamada fase de transição, na qual os principais esforços tectônicos do ciclo Brasiliano, já estavam enfraquecidos, mas o continente ainda não passara à fase estável de bacia intracratônica, conforme explica Felipe Guadagnin, da coordenação científica do Geoparque Caçapava.


Além disso, esses geossítios possuem exemplos de nível mundial dos processos do intemperismo cavernoso, tornando possível aprender sobre diferentes feições, que ao olhar comum são apenas cavidades encravadas nas rochas.


As Minas do Camaquã, que entre os anos de 1942 e 1996 fizeram de Caçapava do Sul o maior produtor de cobre do país, registram um modelo de mineralização de minérios de cobre, ferro, chumbo, zinco, ouro e prata, ao longo de uma rede complexa de fraturas, reconhecido mundialmente.


O território possui ainda geossítios que se caracterizam pela formação de rochas sedimentares de mais de 500 milhões de anos.


Os sedimentos dos cursos dos rios atuais são ambientes favoráveis às descobertas paleontológicas, o que se confirmou quando foram encontrados fósseis do megatério (Megatherium america), uma preguiça-gigante que formava a megafauna que povoava a região 10 mil anos atrás.


De Caçapava é preciso percorrer 440 km para chegar ao geoparque Caminhos dos Cânions do Sul que colocou o RS na seleta lista de geoparques reconhecidos mundialmente pela Unesco. Localizado próximo à zona litorânea, conta com três municípios gaúchos, Cambará do Sul, Mampituba e Torres.


O restante do território fica em Santa Catarina.


Abriga a maior cadeia de cânions da América Latina, com escarpas que atingem até 1157 metros de altura, e se estendem por 250 km.


No total, 30 geossítios constituem os pontos mais representativos da geodiversidade regional.


Do ponto de vista do patrimônio geológico, os cânions representam um importante episódio da história da Terra começa com a fragmentação do supercontinente Gondwana há cerca de 130 milhões de anos, quando as movimentações das placas tectônicas despertaram um dos maiores eventos geológicos de todos os tempos, o vulcanismo Serra Geral.


O derrame das lavas ocorreu de forma incessante por 10 milhões de anos por meio de fissuras na crosta.


Nos arenitos abaixo da Formação Serra Geral encontra-se outro atributo do geoparque: as paleotocas.


Além dos majestosos cânions, existem mais de 50 paleotocas dentro do território do geoparque, novidade que vem chamando atenção de muitos pesquisadores do mundo afora para a região.


A visita é controlada para garantir a preservação dos locais em que se pode, por exemplo, ver marcas das garras que também registram a presença de animais da megafauna, e gravuras rupestres dos povos originários, que também habitavam a região há cerca de 10 mil anos.


Preguiças e tatus gigantes viviam em tocas escavadas nos arenitos, que materializam dunas desérticas que cobriram a porção central do megacontinente Gondwana, durante o triássico.


Conforme o diretor-executivo do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul Global Geopark Unesco, Gislael Floriano, houve um aumento do fluxo de turistas no território, em relação aos anos anteriores, após o reconhecimento mundial, creditado a uma combinação de fatores, entre eles: cenário positivo para o turismo de natureza pós pandemia, novos investimentos em infraestrutura turística na região e maior divulgação sobre os atrativos do território em virtude da conquista da chancela como geoparque mundial. “Também acreditamos que, a longo prazo, deve aumentar a procura do destino Cânions do Sul por turistas internacionais”, avaliou Gislael. O trabalho dos municípios no desenvolvimento dos projetos de geoparque também trouxe como resultado, segundo Floriano, a inserção do geoturismo como estratégia do Ministério do Turismo e das secretarias estaduais de turismo do RS e SC, a criação do Comitê Nacional de Geoparques e o fortalecimento da atuação em rede.

Incentivo ao empreendedorismo - Os três geoparques adotam a estratégia de certificar, através de edital específico, empresas, entidades e pessoas físicas como parceiras oficiais, que passam a ostentar selos de “Iniciativa Parceira”, “Apoiador”, Parceiros” ou “Amigo” dos geoparques.


Além disso, também são certificados produtos que expressam a identidade local, chamados de “Geoprodutos”.


Assim, os geoparques buscam dialogar com diversas entidades e empresas, das mais diversas áreas, em maioria que atuam diretamente na linha de frente do turismo como guias de turismo, agências, hotéis, pousadas, restaurantes e artesanato.


“Os parceiros não apenas garantem uma fatia exclusiva de mercado, por terem seus produtos divulgados pelo Geoparque e associarem a sua marca a um território de vida sustentável reconhecida pela Unesco, como tem no selo que carregam, um atestado da qualidade e da origem do produto. As estratégias de venda são facilitadas, assim como a atribuição de valores, em função de se tratarem de produtos diferenciados”, garante a vice-diretora do Geoparque Quarta Colônia, Michele Vestena.


O primeiro geoparque a receber aprovação internacional no Brasil foi o Geopark Araripe, no Ceará, há 17 anos.


Atualmente, são três brasileiros. Na mesma data que o Caminhos dos Cânions do Sul, o Geoparque Seridó, no Rio Grande do Norte, recebeu a chancela dentro da Rede Global de Geoparques (GGN), sigla de Global Geoparks Network.


A riqueza de um geoparque é geológica, paleontológica, arqueológica, cultural, biológica, turística e educativa. É um parque, com tudo que essa palavra remete à diversão, mas vai além, busca o desenvolvimento local e regional, integra comunidades, valoriza as culturas locais e dos povos originários, e, claro, visa preservar o patrimônio geocientífico de interesse mundial.

Geoparques em números: Municípios:

  1. Cambará do Sul

  2. Mampituba

  3. Torres

  4. Caçapava do Sul

  5. Agudo

  6. Dona Francisca

  7. Faxinal do Soturno

  8. Ivorá

  9. Nova Palma

  10. Pinhal Grande

  11. Restinga Sêca

  12. São João do Polêsine

  13. Silveira Martins

Geoparque Quarta Colônia:

  • 54 geossítios

  • 70 parceiros com o selo Parceiros, Amigos e Geoprodutos


Geoparque Caçapava

  • 22 geossítios

  • 75 parceiros com selo de Iniciativa Parceira ou Apoiador

  • 55 geoprodutos

Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul

  • 22 geossítios

  • 33 empresas parceiras (gastronomia, hotelaria, produto e turismo)

Consórcios:

  • Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus)

  • Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul

  • O Geoparque Caçapava abrange apenas o município de Caçapava do Sul



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